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		<title>Chega de desmatamento no Brasil: iniciativa popular pelo Desmatamento Zero</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 21:14:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A proposta de lei do "Desmatamento Zero" é uma resposta da sociedade à prepotência dos políticos que não escutaram ao poder desmesurado da bancada ruralista no Congresso. A idéia é coletar 1,4 milhão de assinaturas. Assim, será encaminhado ao Congresso uma lei de iniciativa popular contra a devastação das florestas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignnone" style="width: 586px"><img class="  " title="Iniciativa Popular pelo Desmatamento Zero" src="http://desmatamentozero.org.br/img/logo/logo-dz.jpg" alt="Iniciativa Popular pelo Desmatamento Zero" width="576" height="277" /><p class="wp-caption-text">Iniciativa Popular pelo Desmatamento Zero</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>No dia 25/04 foi aprovado o desastroso novo <a title="Entenda a polêmica sobre o novo código florestal" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/entenda-a-polemica-sobre-o-novo-codigo-florestal/">Código Florestal</a> pela Câmara dos Deputados. O projeto permitirá anistia aos desmatadores e mais desmatamento nas matas brasileiras.</strong></p>
<p><strong>Várias organizações sociais se mobilizaram para apresentar uma contra-proposta ao texto aprovado: o projeto “<a title="Chega de desmatamento no Brasil: iniciativa popular pelo Desmatamento Zero" href="http://www.brasiloeste.com.br/2012/05/chega-de-desmatamento-no-brasil-iniciativa-popular-pelo-desmatamento-zero/">Desmatamento Zero</a>”. A idéia é coletar 1,4 milhão de assinaturas. Assim, será encaminhado ao Congresso uma lei de iniciativa popular contra a devastação das florestas. </strong></p>
<ul>
<li><strong>Sua colaboração é fundamental: <a href="http://desmatamentozero.org.br/">assine a petição</a>, compartilhe este post!</strong></li>
</ul>
<h3></h3>
<h3>Campanha pela lei de iniciativa popular do Desmatamento Zero</h3>
<p>As florestas são fundamentais para assegurar o equilíbrio do clima, a conservação da biodiversidade e o sustento de milhões de pessoas que dela dependem diretamente para sobreviver. Florestas também fazem parte da nossa identidade como brasileiros. Elas influenciaram a formação da nossa cultura e nossos mitos. Seu verde está na nossa bandeira e nos nossos corações. Se elas desaparecerem, não seremos mais o Brasil que a gente ama e conhece.</p>
<p>A campanha lançada pelo site <a href="http://desmatamentozero.org.br/">desmatamentozero.org.br</a> pretende levar uma lei de iniciativa popular ao Congresso, para acabar com o desmatamento no Brasil. A proposta parte do princípio que o único índice tolerável de desmatamento é o zero. Há vários países do mundo que pararam de desmatar suas florestas faz mais de um século. O Brasil pode ser ainda melhor: a primeira nação que se desenvolveu ao mesmo tempo em que soube preservar sua riqueza florestal.</p>
<p>Só com a mobilização de um grande número de pessoas temos a chance de ter este projeto aprovado.</p>
<h3>Porque participar?</h3>
<p>No Brasil, as florestas são as grandes responsáveis pelas chuvas que irrigam nossas plantações e que abastecem nossos reservatórios de água. Elas também têm a importante função de purificar o ar, proteger a biodiversidade, manter nossos rios saudáveis e ser uma grande aliada no combate ao aquecimento global. Enfim, são fundamentais para nossa qualidade de vida, desde o ar que respiramos até a comida que vem a nossa mesa, sem contar as milhões de pessoas que dependem diretamente dos recursos florestais para sobreviver.</p>
<p>Porém, o desmatamento já levou embora grande parte desse nosso imenso patrimônio. A Amazônia brasileira perdeu nos últimos 50 anos mais de 720 mil km2, área equivalente à soma das áreas dos Estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.</p>
<p>Estudos indicam que, caso não seja freado, todo este desmatamento poderá levar a Amazônia a iniciar um processo de colapso, em que a floresta deixaria de existir tal qual a conhecemos hoje, perdendo suas características originais e deixando de prestar os serviços ambientais que são tão importantes para o nosso desenvolvimento.</p>
<p>Aliado ao fato de que já temos terras abertas suficientes para duplicarmos nossa produção de alimentos sem precisar derrubar mais nenhum hectare de floresta, podemos afirmar que desmatar florestas no Brasil não faz sentido. E o desmatamento zero vem exatamente para acabar com este modelo antigo de exploração das florestas baseado na devastação.</p>
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		<title>Belo Monte &#8211; Anúncio de uma Guerra</title>
		<link>http://www.brasiloeste.com.br/2012/04/belo-monte-anuncio-de-uma-guerra/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 13:46:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Mais do que um filme, queremos que esse documentário seja um ato político da sociedade, uma luta pelo acesso à informação e pelo direito de participar das decisões do país" - afirmam os produtores em sua página oficial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confira abaixo o trailer do documentário &#8220;<a title="Usina de Belo Monte" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/usina-de-belo-monte/">Belo Monte</a> &#8211; Anúncio de uma Guerra&#8221;:</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/32733074?title=0&amp;byline=0&amp;portrait=0" frameborder="0" width="500" height="281"></iframe></p>
<p><a href="http://vimeo.com/32733074">Belo Monte, Anúncio de uma Guerra (CATARSE)</a> from <a href="http://vimeo.com/cinedelia">CINEDELIA</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Confira o projeto do documentário &#8220;Belo Monte – Anúncio de uma Guerra&#8221;. Bancado por doações de internautas, o filme promete ser um dos poucos meios de informação independente sobre Belo Monte.  .</p>
<p>&#8220;Mais do que um filme, queremos que esse documentário seja um ato político da sociedade, uma luta pelo acesso à informação e pelo direito de participar das decisões do país&#8221; &#8211; afirmam os produtores em sua página oficial.</p>
<p>O projeto inicial já está financiado, mas como os produtores indicam, esta é só a primeira fase. O desafio agora é garantir a distribuição para que seja visto em salas de cinema Brasil agora. Ajude a dar força à iniciativa, compartilhe a iniciativa com seus amigos!</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=73b0bb7b-e1bf-4fd7-ae9d-c44e1d941bec" alt="" /></div>
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		<title>A força dos ventos</title>
		<link>http://www.brasiloeste.com.br/2012/04/a-forca-dos-ventos/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 14:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ O Brasil tem potencial para ser o primeiro país a ter toda a sua matriz energética proveniente de fontes renováveis e limpas e deve dar o exemplo de que desenvolvimento sustentável é possível.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://www.flickr.com/photos/47786939@N06/5283181373"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="Energía Eólica" src="http://farm6.static.flickr.com/5201/5283181373_0a3cc7412f_m.jpg" alt="Energía Eólica" width="240" height="159" /></a><p class="wp-caption-text">Energía Eólica (Photo credit: Jumanji Solar)</p></div>
<p><em>Por Marina Yamaoka, Greenpeace Brasil</em></p>
<p>Durante o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, na semana passada, a presidenta Dilma Roussef deu declarações polêmicas em relação à energia eólica e enfatizou a importância da continuidade dos investimentos em hidrelétricas. Ela afirmou que “para garantir energia de base renovável que não seja hídrica, fica difícil, porque eólica não segura. E todo mundo sabe disso”, e continuou, dizendo que seria necessário usar outros tipos de energia já que &#8220;não venta o tempo todo e não tem como estocar vento. Não posso dizer que só com eólica é possível iluminar o planeta&#8221;.</p>
<p>&#8220;As críticas de Dilma só reforçam a necessidade de desmistificar a concepção de que só teremos luz em nossas casas se construirmos grandes hidrelétricas, como <a title="Usina de Belo Monte" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/usina-de-belo-monte/">Belo Monte</a>”, afirma Sérgio Leitão, Diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil. O Brasil tem potencial para ser o primeiro país a ter toda a sua matriz energética proveniente de fontes renováveis e limpas e deve dar o exemplo de que desenvolvimento sustentável é possível.</p>
<p>O parque elétrico brasileiro é majoritariamente hidrelétrico e a energia gerada por hidrelétricas corresponde a mais de 80% de toda a matriz elétrica do país, o que não significa que este seja o melhor modelo de produção de energia. &#8220;Esse modelo de obras faraônicas causa profundos impactos socioambientais e precisa ser abandonado&#8221;, disse Leitão. Só o potencial de energia dos ventos, de acordo com o Ministério de Minas e Energia, é de 143 Gigawatts, o equivalente à produção de dez Itaipus.</p>
<p>Ainda, segundo Leitão, o Brasil apresentou a maior taxa de expansão da fonte eólica no mundo nos últimos 12 meses, o que deve colocá-lo entre os dez maiores produtores em 2013. O país tem hoje a energia eólica mais barata do mundo, o que oferecerá a oportunidade de complementar nossa produção energética com a exploração do &#8220;pré-Vento&#8221;, muito menos oneroso que o pré-sal que investirá mais de R$ 600 bilhões até 2020 para viabilizar a sua exploração no exato momento em que o uso de combustíveis fósseis é cada vez mais inviável devido ao aquecimento global e às mudanças climáticas.</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=97b0be07-f9e2-40a0-8bcb-8c32afc50efe" alt="" /></div>
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		<title>A Carta do Cacique Seattle</title>
		<link>http://www.brasiloeste.com.br/2012/03/a-carta-do-cacique-seattle/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 18:57:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Mesmo tendo sua autenticidade contestada, a suposta carta toca em pontos crucias das diferenças filosóficas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 269px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Chief_seattle.jpg"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="Chief Seattle" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/67/Chief_seattle.jpg" alt="Chief Seattle" width="259" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Chefe Seattle (Foto: Wikipedia)</p></div>
<p>Mesmo tendo sua autenticidade contestada, a suposta carta toca em pontos crucias das diferenças filosóficas de como nos relacionamos com a natureza. O desabafo do cacique - autêntico ou não - tem uma incrível atualidade.</p>
<p>Segue a carta:</p>
<p>&#8220;O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade.</p>
<p>Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.</p>
<p>Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha.</p>
<p>Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo.</p>
<p>Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.</p>
<p>Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita.</p>
<p>Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.</p>
<p>Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite?</p>
<p>Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d&#8217;água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.</p>
<p>Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem.</p>
<p>Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.</p>
<p>Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.</p>
<p>De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.</p>
<p>Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã.</p>
<p>Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós.</p>
<p>E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos.</p>
<p>Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos.</p>
<p>Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos.</p>
<div class="mceTemp"></div>
<p>Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.&#8221;</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=0cfff3af-305c-4e49-a8cd-a87d0e00d5d0" alt="" /></div>
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		<title>Os Retrocessos de Dilma na Agenda Socioambiental</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 19:06:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O primeiro ano do governo da Presidente Dilma Rousseff foi marcado pelo maior retrocesso da agenda socioambiental desde o final da ditadura militar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Dilma_Rousseff_2009.jpg"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="Dilma Rousseff, minister chief of staff of the..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8b/Dilma_Rousseff_2009.jpg/300px-Dilma_Rousseff_2009.jpg" alt="Dilma Rousseff, minister chief of staff of the..." width="200" /></a><p class="wp-caption-text">O governo de Dilma Roussef poderá ser considerado o maior criminoso socioambiental da história do Brasil (via Wikipedia)</p></div>
<p><strong>É triste e irônico imaginar que alguém com a história da presidente Dilma possa ser comparada com o governo militar. Mas foi exatamente esta a acusação feita pelas principais organizações ambientais brasileiras ao afirmar em carta aberta que &#8220;o primeiro ano do governo da Presidente Dilma Rousseff foi marcado pelo maior retrocesso da agenda socioambiental desde o final da ditadura militar&#8221; (<em>vide carta completa abaixo</em>).</strong></p>
<p>Infelizmente, a posição do governo atual em relação ao desenvolvimento do Brasil é &#8211; realmente &#8211; muito próxima da ditadura que Dilma tanto combateu: desenvolvimento a qualquer custo e privilegiando poucos. Os militares, pelo menos, tem a seu favor o fato de estarem alinhados com o pensamento do seu tempo, numa época em que a consciência ambiental era quase inexistente.</p>
<p>Ao tocar projetos como a usina de <a title="Usina de Belo Monte" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/usina-de-belo-monte/">Belo Monte</a> ou apoiar um <a title="Entenda a polêmica sobre o novo código florestal" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/entenda-a-polemica-sobre-o-novo-codigo-florestal/">Código Florestal</a> escrito por ruralistas, o governo Dilma estará efetuando os mais sérios crimes ambientais e sociais já perpetuados contra a nação. Para atender a seu projeto de poder e manter felizes os coronéis do século XXI, Dilma está não apenas prostituindo seu governo, mas a maior riqueza do nosso país: nossa fantástica diversidade étnica e biológica.</p>
<p>Para as organizações ambientalistas os maiores ataques do governo Dilma às conquistas socioambientais são:</p>
<ol>
<li>Apoio a um código florestal que irá anisitiar R$8.4 bilhões em multas, beneficiando grandes proprietários de terra;</li>
<li>Redução de unidades de conservação: numa atitude inédita, o governo excluiu Unidades de Conservação federais na Amazônia por medida provisória para que se tornassem canteiros de obras;</li>
<li>Redução do poder do Ibama;</li>
<li>Atropelos no processo de licensiamento: o licenciamento da <a title="Usina de Belo Monte" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/usina-de-belo-monte/">Hidrelétrica de Belo Monte</a> é marcado pelo desprezo às regras, às condicionantes ambientais e à necessidade de consulta às populações indígenas;</li>
<li>Paralisia na agenda de mudanças climáticas;</li>
<li>Lentidão em projetos estruturais de transporte público (mobilidade) e saneamento básico;</li>
<li>Aumento da violência no campo;</li>
<li>Ministério do Meio Ambiente fraco: de forma inédita, tem acatado com subserviência inaceitável os prejuízos para as atribuições de órgãos , como a fragilização do Conama e a redução dos poderes do Ibama na fiscalização e no licenciamento.</li>
</ol>
<div></div>
<div><strong>Leia a carta completa:</strong></div>
<div></div>
<div></div>
<h2>Carta de repúdio aos retrocessos na política ambiental do Brasil</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>(<em>adaptado do <a href="http://www.ipam.org.br/noticias/Sociedade-civil-lanca-carta-aberta-sobre-os-retrocessos-socioambientais-do-governo-Dilma/1798/destaque">original</a></em>)</p>
<p><strong>O primeiro ano do governo da Presidente Dilma Rousseff foi marcado pelo maior retrocesso da agenda socioambiental desde o final da ditadura militar, invertendo uma tendência de aprimoramento da agenda de desenvolvimento sustentável que vinha sendo implementado ao longo de todos os governos desde 1988, cujo ápice foi a queda do ritmo de desmatamento na Amazônia no Governo Lula.</strong></p>
<p>Os avanços acumulados nas duas últimas décadas permitiram que o Brasil fosse o primeiro país em desenvolvimento a apresentar metas de redução de emissão de carbono e contribuíram decisivamente para nos colocar numa situação de liderança internacional no plano socioambiental.</p>
<p>Na contramão desse processo histórico, são vários os casos que ilustram essa inversão de tendência:</p>
<ul>
<li>A flexibilização da legislação, com a negociação para aprovação de um <a title="Entenda a polêmica sobre o novo código florestal" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/entenda-a-polemica-sobre-o-novo-codigo-florestal/">Código Florestal</a> indigno desse nome;</li>
<li>a Regulamentação do Artigo 23 da Constituição Federal, através da Lei Complementar 140, recentemente aprovada, são os casos mais graves;</li>
<li>a interrupção dos processos de criação de unidades de conservação desde a posse da atual administração, chegando mesmo à inédita redução de várias dessas áreas de preservação na Amazônia através de Medida Provisória, contrariando a legislação em vigor e os compromissos internacionais assumidos pelo país;</li>
<li>o congelamento dos processos de reconhecimento de terras indígenas e <a title="Kalunga, uma remanescente de quilombo no sertão de Goiás" href="http://www.brasiloeste.com.br/2004/05/kalunga/">quilombolas</a> ao mesmo tempo em que os órgãos públicos aceleram o licenciamento de obras com claros problemas ambientais e sociais.</li>
</ul>
<p>Esse processo contrasta com compromissos de campanha assumidos de próprio punho pela presidente em 2010, como o de recusar artigos do Código Florestal que implicassem redução de Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais e artigos que resultassem em anistia a desmatadores ilegais.</p>
<p>Todos esses pontos foram incluídos na proposta que deve ir a votação no Congresso nos próximos dias, com apoio da base do governo.</p>
<h3>Ataques às conquistas socioambientais</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os ataques às conquistas socioambientais abrem espaço para outros projetos de alteração na legislação já em discussão no Congresso. São exemplos a Proposta de Emenda Constitucional que visa dificultar a criação de novas Unidades de Conservação e reconhecimento de Terras Indígenas; o projeto de lei que fragiliza a Lei da Mata Atlântica; os inúmeros projetos para diminuição de unidades de conservação já criadas; a proposta de Decreto Legislativo para permitir o plantio de cana de açúcar na Amazônia e no Pantanal e a discussão de mineração em áreas indígenas.</p>
<p>É por isso que as organizações da sociedade que apoiam o desenvolvimento não destrutivo e estão preocupadas com a preservação do equilíbrio socioambiental no país, que subscrevem este documento, vêm alertar a opinião pública de que <strong>o Brasil vive um retrocesso sem precedentes na área socioambiental, o que inviabiliza a possibilidade do país continuar avançando na direção do desenvolvimento com sustentabilidade e ameaça seriamente a qualidade de vida das populações atuais e futuras.</strong></p>
<p>Seguem os principais ataques do governo Dilma contra o meio ambiente:</p>
<p><strong>CÓDIGO FLORESTAL</strong></p>
<p>É o ponto paradigmático desse processo de degradação da agenda socioambiental a iminente votação de uma proposta de novo Código Florestal que desfigura a legislação de proteção às florestas, concede anistia ampla para desmatamentos irregulares cometidos até julho de 2008, instituindo a impunidade que estimulará o aumento do desmatamento, além de reduzir as reservas legais e Áreas de Proteção Permanente em todo o País.</p>
<p>A versão em fase final de votação nos próximos dias afronta estudos técnicos de muitos dos melhores cientistas brasileiros, que se manifestam chocados com o desprezo pelos alertas feitos sobre os erros grosseiros e desmandos evidentes das propostas de lei oriundas da Câmara Federal e do Senado.</p>
<p>Em outras oportunidades, durante os oito anos da administração Fernando Henrique Cardoso e nos dois mandatos da administração de Luís Inácio Lula da Silva, houve tentativas de reduzir os mecanismos legais de proteção a florestas e ao meio ambiente. Mas a maior parte delas foram barradas pelo Executivo, devido à forte contestação da sociedade.</p>
<p><strong>Hoje o Executivo se mostra inerte e insensível à opinião pública, a começar pelo Ministério do Meio Ambiente que interrompeu a realização das Conferências Nacionais de Meio Ambiente e tem sido conivente e passivo frente ao desmonte da legislação pertinente à sua área de atuação.</strong></p>
<p>Invertendo aquela tradição, a atual administração deixou sua base parlamentar fazer o que bem entendesse, entrando na discussão quando o fato já estava consumado e de forma atabalhoada. Setores do governo interferiram para apoiar, às vezes veladamente, às vezes nem tanto, as propostas que reduzem as florestas, enquanto a tendência mundial, diante das mudanças climáticas, é aumentar a cobertura florestal.</p>
<p><strong>REDUÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO</strong></p>
<p>Nesse primeiro ano, o governo Dilma não criou nenhuma unidade de conservação e, numa atitude inédita, enviou ao Congresso a Medida Provisória nº 558 que excluiu 86 mil hectares de sete Unidades de Conservação federais na Amazônia para abrigar canteiros e reservatórios de quatro grandes barragens, nos rios Madeira e Tapajós.</p>
<p>Além de não ter havido prévia realização de estudos técnicos e debate público sobre as hidrelétricas do Tapajós, a Constituição Federal estabelece que a alteração e supressão de áreas protegidas só poderia se dar através de lei, o que levou a Procuradoria Geral da República a impetrar Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao Supremo Tribunal Federal contra o uso de Medida Provisória pela Presidente.</p>
<p><strong>REDUÇÃO DO PODER DE FISCALIZAÇÃO DO IBAMA</strong></p>
<p>O governo federal eleito com a maior bancada de apoio da história do país, que deveria ser capaz de implementar as reformas necessárias para avançar o caminho da democracia, da governança política, da economia ágil e sustentável, vem dando sinais de ser refém dos grupos mais atrasados encastelados no Congresso.</p>
<p>O que o levou a aceitar e sancionar sem vetos a citada Lei Complementar 140, que retirou poderes de órgãos federais, tais como o Ibama e o Conama, fragilizando esses órgãos que tiveram importância fundamental na redução do desmatamento da Amazônia e na construção da política ambiental ao longo dos últimos anos.</p>
<p><strong>ATROPELOS NO LICENCIAMENTO</strong></p>
<p>Mais do que omitir-se diante dos ataques à floresta, o governo federal vem atropelando as regras de licenciamento ambiental, que visam organizar a expansão dos projetos de infraestrutura no Brasil.</p>
<p><strong>Diferente do tratamento dado ao licenciamento da BR 163 num passado recente, quando o governo construiu junto com a sociedade um Plano de Desenvolvimento Sustentável da região de abrangência da obra, o licenciamento da <a title="Usina de Belo Monte" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/usina-de-belo-monte/">Hidrelétrica de Belo Monte</a> é marcado pelo desprezo às regras, às condicionantes ambientais e à necessidade de consulta às populações indígenas afetadas.</strong></p>
<p>Esse novo “modus operandi” vem tornando-se prática rotineira, o que ameaça a integridade da região amazônica, onde pretende-se instalar mais de 60 grandes hidrelétricas e 170 hidrelétricas menores. O conjunto de grandes e pequenas hidrelétricas provocará não só mais desmatamento associado à migração e especulação de terras como, ao alterar o regime hidrológico dos rios da região, afetará de forma irreversível populações indígenas e comunidades locais.</p>
<p><strong>PARALISIA NA AGENDA DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS</strong></p>
<p>Entre 2005 e 2010 o Brasil vinha dando passos decisivos ano após ano para avançar a agenda de enfrentamento das mudanças climáticas no cenário nacional e internacional. Esse esforço culminou, em 2009, com a acertada definição de metas para redução de gases de efeito estufa incorporadas na Lei da Política Nacional de Mudanças Climáticas que pautaram a virada de posição das economias emergentes.</p>
<p>A regulamentação da lei em 2010 determinou a construção dos planos setorias para redução de emissões em 2011. Porém o que se viu em 2011 foi uma forte retração da agenda e nenhum dos planos setoriais previstos para serem desenvolvidos no primeiro ano do governo Dilma foram finalizados nem sequer passaram por qualquer tipo de consulta publica.</p>
<p><strong>LENTIDÃO NO &#8220;PAC&#8221; DA MOBILIDADE </strong></p>
<p>A agenda socioambiental caminha vagarosamente mesmo nas áreas apontadas pelo governo como prioritárias &#8212; a construção de obras de infraestrutura. O PAC da Copa, lançado em 2009, prevê investimentos de R$ 11,8 bilhões em melhoria da mobilidade urbana, mas só foram efetivados 10% dos. Já é de conhecimento público que os sistemas metroviários não estarão em operação em 2014.</p>
<p>No início deste governo foi lançado o PAC da Mobilidade, mas até o presente momento ainda não foram selecionados oe projetos e assinados nenhum contrato para desembolso de verba foi assinado.</p>
<p><strong>LENTIDÃO NO SANEAMENTO BÁSICO</strong></p>
<p>Os investimentos em saneamento também andaram mais devagar do que fazia crer a intensa propaganda eleitoral. Com um orçamento inicial de R$ 3,5 bilhões, o governo investiu efetivamente apenas R$ 1,9 bilhões, valor 21% menor que em 2010. A liberação de recursos pela Caixa Econômica Federal também deixou a desejar (R$ 2,3 bilhões até novembro, apenas 25% do contratado).</p>
<p>Peça fundamental de uma estratégia de redução da poluição de nossas águas e de melhoria social, o saneamento básico no Brasil tem números vergonhosos: apenas 44,5% da população brasileira está conectada a redes de esgotos; e desse esgoto coletado, somente cerca de 38% é tratado (o que significa que mais de 80% do esgoto produzido no Brasil é despejado na natureza).</p>
<p><strong>LENTIDÃO NA REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA E AUMENTO DA VIOLÊNCIA NO CAMPO</strong></p>
<p>Não é apenas na criação de unidades de conservação e terras indígenas e quilombolas que a hegemonia dos setores mais retrógrados do país se faz presente. O primeiro ano do governo Dilma foi marcado pelo pior desempenho na área de criação de assentamentos da reforma agrária desde, pelo menos, 1995.</p>
<p>O desembolso de recursos com ações para estruturar produtivamente os assentamentos já existentes foi o mais baixo da última década: R$ 65,6 milhões. O processo de titulação de terras indígenas e de quilombos também se arrasta – em 2011, só uma terra de quilombo foi titulada e três terras indígenas homologadas.</p>
<p>Esses retrocessos coincidiram com o aumento da violência no campo. Segundo levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 38 índios foram assassinados nos nove primeiros meses do ano passado, sendo 27 no Mato Grosso do Sul, cenário de tensas disputas por direitos territoriais. Esses números são engrossados por pelo menos oito assassinatos de agricultores familiares e/ou extrativistas em disputas com grileiros de terras, principalmente na região norte.</p>
<p><strong>MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE INERTE</strong></p>
<p><strong>Diante desses ataques contra a estrutura e competências de sua pasta, o Ministério do Meio Ambiente, de forma inédita, tem acatado com subserviência inaceitável os prejuízos para as atribuições de órgãos , como a fragilização do Conama e a redução dos poderes do Ibama na fiscalização e no licenciamento.</strong></p>
<p>Frente as agressões ao bom senso e à ciência contidas na proposta do Código Florestal, a Ministra deu seu beneplácito ao aceitar a alegação de que o texto não continha cláusulas de anistia, quando ele claramente concede perdão amplo, geral e irrestrito para a grande maioria dos desmatadores ilegais.</p>
<p>Diante desses retrocessos apontados, as organizações sociais signatárias apelam para que a Presidente cumpra os compromissos assumidos em campanha e retome a implementação da agenda de sustentabilidade no País. Somente uma ação forte nesse sentido evitará os graves prejuízos para a sociedade brasileira e que o Brasil viva o vexame de ser ao mesmo tempo anfitrião e vilão na Rio + 20, em junho deste ano.</p>
<p><strong>Assinam a <a href="http://www.ipam.org.br/noticias/Sociedade-civil-lanca-carta-aberta-sobre-os-retrocessos-socioambientais-do-governo-Dilma/1798/destaque">carta original</a>:</strong></p>
<ul>
<li>Instituto Socioambiental &#8211; ISA</li>
<li>Instituto Democracia e Sustentabilidade</li>
<li>Fundação SOS Mata Atlântica</li>
<li>Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia</li>
<li>Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia</li>
<li>Rios Internacionais – Brasil</li>
<li>Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA)</li>
<li>Grupo de Trabalho Amazônico (Rede GTA)</li>
<li>Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi)</li>
<li>Associação Alternativa Terra Azul</li>
<li>WWF -Brasil</li>
<li>Instituto Vitae Civilis</li>
</ul>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=581e9af2-e2e1-45b4-bfe6-b8609be166ae" alt="" /></div>
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		<item>
		<title>Faça uma ligação para impedir a aprovação do absurdo que é o novo código florestal!</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2012 17:04:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Congresso deve na próximas horas alterações ao código florestal brasileiro que irá anisitiar R$8.4 bilhões em multas, beneficiando alguns dos maiores criminosos ambientais do país. Além disso, estudos do IPEA mostram que, no pior cenário, a nova lei pode devastar ou não restaurar mais de 76,5 milhões de hectares, que se traduz em 28 bilhões de toneladas de CO2 adicionados à atmosfera.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Congresso deve na próximas horas alterações ao código florestal brasileiro que irá anisitiar R$8.4 bilhões em multas, beneficiando alguns dos maiores criminosos ambientais do país. Além disso, estudos do IPEA mostram que, no pior cenário, a nova lei pode devastar ou não restaurar mais de 76,5 milhões de hectares, que se traduz em 28 bilhões de toneladas de CO2 adicionados à atmosfera.</p>
<p><strong>Ajude a parar este absurdo, <a href="http://www.avaaz.org/po/stop_the_new_attack_on_the_amazon_call_in/?copy">ligue ou envie um email agora para seu representante no congresso</a>!</strong><br />
&nbsp;</p>
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		<title>Legislação ambiental não impediu sucesso do agronegócio</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Mar 2012 18:58:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sete em cada dez quilos de soja produzida no Brasil são processados por apenas nove empresas, e destas cinco são transnacionais: ADM (Estados Unidos), Cargill (Estados Unidos), Bunge (Holanda), Louis Dreyfus (França) e Grupo Noble (Cingapura).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por Aldem Bourscheit &#8211; <a href="http://wwf.org.br">WWF-Brasil</a></p>
<p>Análise apresentada à Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara dos Deputados jogou na balança das discussões sobre o projeto de reforma do <a href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/entenda-a-polemica-sobre-o-novo-codigo-florestal/">Código Florestal</a> o poderio econômico do agronegócio e suas demandas por infra-estrutura e menos proteção ambiental.</p>
<p>Doutora em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP), Regina Araújo ponderou que o superávit do modelo agrícola exportador nacional parece blindar a economia interna de crises econômicas globais cada vez mais comuns. Levando assim a um cenário onde governos seriam aparentemente obrigados a ceder a suas exigências crescentes por estradas, portos e ferrovias, bem como pelo desmanche da legislação ambiental brasileira.</p>
<p><strong>&#8220;Nossas leis ambientais estão em construção desde a década de 1930, e até agora não provocaram nenhum impedimento ao espantoso crescimento do agronegócio&#8221;, lembrou a pesquisadora. O Brasil é hoje o segundo maior exportador individual de produtos agrícolas, logo atrás dos Estados Unidos e da União Européia.</strong></p>
<p>&#8220;Essa conquista não é exclusiva do setor, mas do conjunto da sociedade brasileira, que bancou com subsídios e créditos anos de pesquisa e desenvolvimento&#8221;, ressaltou.</p>
<p>Observando o bloco econômico europeu, Regina também comentou que lá a agropecuária foi estruturada em pequenas e médias propriedades. Bem diferente do modelo concentrador de terras e renda focado em produzir commodities de exportação e não alimentos para chegarem à mesa dos brasileiros.</p>
<h2>Da onde vem a força do agronegócio?</h2>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/tRZo8WFM7uw" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></p>
<p><strong>Sete em cada dez quilos de soja produzida no Brasil são processados por apenas nove empresas, e destas cinco são transnacionais: ADM (Estados Unidos), Cargill (Estados Unidos), Bunge (Holanda), Louis Dreyfus (França) e Grupo Noble (Cingapura).</strong></p>
<p>&#8220;Não deixa de ser irônica a crítica que setores do agronegócio tecem à suposta ingerência do movimento ambientalista em assuntos de interesse brasileiro&#8221;, escreve a pesquisadora em conjunto com a geógrafa Paula Watson (USP) no artigo <a title="De onde vem a força do agronegócio" href="http://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/livreto_wwf_cod_florestal_web_1.pdf">De onde vem a força do agronegócio?</a>.</p>
<p>Avançando há décadas sempre para onde a terra é &#8220;mais barata&#8221; e a infra-estrutura é precária, setores atrasados do agronegócio pautam governos incessantemente com exigências por asfaltamento de estradas, construção de portos e outras obras embaladas em pacotes como o do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.</p>
<p>“Mas a sociedade ainda não entendeu a extensão e os reais custos desses projetos, quase sempre destinados a atender demandas setoriais e não aos interesses reais e de longo prazo do país. O país não pode seguir como refém de um modelo perverso de produção e exportação que despreza nossas riquezas socioambientais”, disse Regina Araújo.</p>
<h2>Se aprovado, novo código florestal anisitia R$8.4 bilhões em multas</h2>
<p>(Segundo reportagem da Folha de São Paulo, a aprovação do novo <a title="Entenda a polêmica sobre o novo código florestal" href="../especiais/entenda-a-polemica-sobre-o-novo-codigo-florestal/">Código Florestal</a>, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal.)</p>
<p>Pouco antes de ser <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2012/02/28/relator-do-codigo-florestal-e-vaiado-em-seminario-de-cientistas-e-ambientalistas-na-camara-dos-deputados.jhtm" target="_blank">vaiado durante o seminário <em>Código Florestal &#8211; o que diz a ciência e os nossos legisladores ainda precisam saber</em></a>, na Câmara, o relator do projeto de reforma do Código Florestal, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), admitiu que manterá anistias a quem desmatou ilegalmente em seu texto e que o Governo Federal tem interesse em aprovar a absurda peça o mais rapidamente possível, reduzindo os efeitos sobre a Rio+20, que acontece em junho no Rio de Janeiro.</p>
<p>Pois, uma outra análise encabeçada pelo jornalista Leão Serva aponta pelo menos 10 pontos de anistias no texto em tramitação no Congresso. Eles livram de responsabilidade quem destruiu mangues, ocupou margens de rios, encostas, nascentes e topos de morros, sempre com a justificativa de legalizar para oferecer segurança jurídica a quem trabalha no campo.</p>
<p>&#8220;Vai se dar bem quem até agora desrespeitou a lei. Impressiona como os parlamentares vêm ignorando completamente os alertas da Ciência e da própria natureza quando apontam a necessidade de preservação dessas regiões&#8221;, comentou ele, lembrando de tragédias recorrentes que se abatem sobre populações que vivem em áreas de risco, como as ocorridas em janeiro do ano passado no Rio de Janeiro ou as mais recentes no Acre. Evitar anistias foi uma das promessas de campanha da presidente Dilma Roussef.</p>
<p>Conforme o jornalista, a Rússia alterou sua legislação florestal em 2007 em moldes semelhantes ao que propõe a bancada ruralista com aval do Governo Federal. A &#8220;estadualização&#8221; da gestão florestal aprovada por um Congresso russo que também ignorou alertas de cientistas não trouxe outro resultado senão o aumento franco do desmatamento e das queimadas em todo o país, um dos mais ricos em cobertura verde do planeta.</p>
<p>&#8220;Pode ocorrer o mesmo aqui se o texto em tramitação for derrubado, no Congresso ou pela Presidência da República&#8221;, ponderou Serva. &#8220;E isso é ainda mais preocupante quando pesquisadores russos acabam de descobrir que as florestas funcionam como corações, bombeando ventos e chuvas para várias regiões&#8221;, ressaltou.</p>
<p>Com tantas evidências na mesa, é mais do que claro que a proposta de reforma do Código Florestal não está pronta para ser votada. “Do jeito que está, é puro atropelo. O projeto é repleto de falhas técnicas e legislativas que deixam completamente a descoberto o patrimônio ambiental brasileiro”, completou Regina Araújo, da USP.</p>
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		<title>Se aprovado, novo código florestal anisitia R$8.4 bilhões em multas</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Mar 2012 15:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A aprovação do novo Código Florestal, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal, informa reportagem da Folha de São Paulo. O jornal obteve a lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A aprovação do novo <a title="Entenda a polêmica sobre o novo código florestal" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/entenda-a-polemica-sobre-o-novo-codigo-florestal/">Código Florestal</a>, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal, informa reportagem da Folha de São Paulo.</p>
<p>O jornal obteve a lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão ambiental e separou as 139 que superam R$ 1 milhão. Dessas, 103 (ou pouco menos que 75%) serão suspensas, se mantido na Câmara o texto do código aprovado no Senado. Depois, segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.</p>
<p>Pelo texto, serão perdoadas todas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. As punições aplicadas depois disso continuarão a valer.</p>
<p>Veja como funciona:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_3065" class="wp-caption alignright" style="width: 518px"><a href="http://www.brasiloeste.com.br/wp-content/uploads/2012/03/codigo_florestal_anistia_multas_milionarias.png"><img class=" wp-image-3065 " title="codigo_florestal_anistia_multas_milionarias" src="http://www.brasiloeste.com.br/wp-content/uploads/2012/03/codigo_florestal_anistia_multas_milionarias.png" alt="Se aprovado, novo código florestal anisitia 8.4 bilhões R$ em multas" width="508" height="957" /></a><p class="wp-caption-text">Se aprovado, novo código florestal dará anisitia de R$8.4 bilhões em multas! (Fonte: Folha de SP)</p></div>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=a40540a1-8c4d-4eac-8477-b6f8e5bbe0a0" alt="" /></div>
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		<title>As vantagens do decrescimento</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2012 16:34:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A sociedade de crescimento não é desejável, pelo menos por três razões: produz um aumento das desigualdades e das injustiças, cria um bem-estar amplamente ilusório, e não promove, para os próprios “favorecidos”, uma sociedade convivial, mas uma anti-sociedade doente devido à sua riqueza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><a class="zem_slink" title="Serge Latouche" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Serge_Latouche" rel="wikipedia">Serge Latouche</a> (publicado originalmente em 01/11/2003 por <a class="zem_slink" title="Le Monde diplomatique" href="http://www.monde-diplomatique.fr/" rel="homepage">Le Monde Diplomatique</a>)</em></p>
<blockquote><p><strong>A sociedade de crescimento pode ser definida como uma sociedade dominada por uma economia de crescimento, precisamente, e que tende a se deixar absorver por esta idéia. O crescimento pelo crescimento torna-se assim o objetivo primordial, senão o único da vida. Uma tal sociedade não é sustentável, porque se choca com os limites da biosfera.</strong></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Crescimento, o único objetivo da vida</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Para conciliar as contradições entre o crescimento e o respeito pelo meio ambiente, os especialistas pensam encontrar a poção mágica na ecoeficiência.</strong></p>
<p>Depois de algumas décadas de desperdício frenético, parece que entramos na zona das tempestades – no sentido próprio e no figurado&#8230; As perturbações climáticas são acompanhadas pelas guerras do petróleo, que serão seguidas pela guerra da água5, mas também por possíveis pandemias, desaparecimento de espécies vegetais e animais essenciais como conseqüência de catástrofes biogenéticas previsíveis.</p>
<p>Nessas condições, a sociedade de crescimento não é sustentável, nem desejável. É urgente, portanto, que se pense numa sociedade de “decrescimento”, se possível serena e convivial.</p>
<p><strong>A sociedade de crescimento pode ser definida como uma sociedade dominada por uma economia de crescimento, precisamente, e que tende a se deixar absorver por esta idéia. O crescimento pelo crescimento torna-se assim o objetivo primordial, senão o único da vida. Uma tal sociedade não é sustentável, porque se choca com os limites da biosfera.</strong></p>
<p>Se tomarmos, como índice do “peso” para o meio ambiente de nosso modo de vida, “a marca” ecológica deste último em superfície terrestre necessária, obteremos resultados insustentáveis, tanto do ponto de vista da eqüidade nos direitos de retirada da natureza, quanto do ponto de vista da capacidade de regeneração da biosfera.</p>
<p>Um cidadão dos Estados Unidos consome em média 9,6 hectares, um canadense 7,2, um europeu médio 4,5. Estamos, portanto, muito distantes da igualdade planetária e mais ainda de um modo de civilização sustentável, que precisaria se limitar a 1,4 hectare, admitindo-se que a população atual permaneça estável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>A fé na ciência dos economistas</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Se acompanharmos o raciocínio de Ivan Illich, o desaparecimento programado da sociedade de crescimento não é necessariamente uma má notícia.</strong></p>
<p>Para conciliar os dois imperativos contraditórios do crescimento e do respeito pelo meio ambiente, os especialistas pensam encontrar a poção mágica na ecoeficiência, peça central e, a bem dizer, a única base séria do “desenvolvimento sustentável”. Trata-se de reduzir progressivamente o impacto ecológico e a intensidade da retirada dos recursos naturais até atingir um nível compatível com a capacidade reconhecida de carga do planeta.</p>
<p>É incontestável que a eficiência ecológica tem aumentado de maneira notável, mas, ao mesmo tempo, a perpetuação do crescimento desenfreado acarreta uma degradação global. As baixas de impactos e de poluição por unidade de mercadoria produzida são sistematicamente invalidadas pela multiplicação do número de unidades vendidas (fenômeno ao qual se deu o nome de “efeito retorno”).</p>
<p>A “nova economia” é, na verdade, relativamente imaterial ou menos material, mas ela mais complementa do que substitui a anterior. No final das contas, todos os indicadores demonstram que as retiradas continuam a crescer.</p>
<p>Enfim, é preciso a fé inabalável dos economistas ortodoxos para pensar que a ciência do futuro resolverá todos os problemas, e que é concebível a substituição ilimitada da natureza pelo artifício.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Elevação do nível de vida é ilusória</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A sociedade de crescimento produz um aumento das desigualdades e das injustiças, cria um bem-estar ilusório e não promove uma sociedade convivial</strong></p>
<p>Se acompanharmos o raciocínio de Ivan Illich, o desaparecimento programado da sociedade de crescimento não é necessariamente uma má notícia. &#8220;A boa notícia é que não é primeiramente para evitar os efeitos secundários negativos de uma coisa que seria boa em si que precisamos renunciar a nosso modo de vida – como se tivéssemos que optar entre o prazer de um alimento delicioso e os riscos aferentes. Não, é que o alimento é intrinsecamente ruim, e que seríamos bem mais felizes ao evitá-lo. Viver de outra maneira para viver melhor.&#8221;</p>
<p><strong>A sociedade de crescimento não é desejável, pelo menos por três razões: produz um aumento das desigualdades e das injustiças, cria um bem-estar amplamente ilusório, e não promove, para os próprios “favorecidos”, uma sociedade convivial, mas uma anti-sociedade doente devido à sua riqueza.</strong></p>
<p>A elevação do nível de vida de que pensa se beneficiar a maioria dos cidadãos do hemisfério Norte é cada vez mais ilusória.</p>
<p>É claro que gastam mais, em termos de compra de bens e serviços, mas esquecem de deduzir a elevação superior dos custos. Esta última assume formas diversas, mercantis e não mercantis: degradação da qualidade de vida – não quantificada, mas sofrida (ar, água, meio ambiente) –, despesas de “compensação” e de reparação (medicamentos, transportes, lazer) que se tornaram necessárias na vida moderna, elevação dos preços dos artigos escassos (água engarrafada, energia, espaços verdes&#8230;).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Decrescimento não é crescimento negativo</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A partir da década de 70, o índice de progresso real estagnou, e até regridiu, para os Estados Unidos, enquanto o do PIB não pára de aumentar</strong></p>
<p><a class="zem_slink" title="Herman Daly" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Herman_Daly" rel="wikipedia">Herman Daly</a> estabeleceu um índice sintético, o <a class="zem_slink" title="Genuine progress indicator" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Genuine_progress_indicator" rel="wikipedia">Genuine Progress Indicator</a> (Indicador de Progresso Autêntico &#8211; IPA) que corrige, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) das perdas causadas pela poluição e pela degradação do meio ambiente. A partir da década de 70, o índice de progresso real estagnou, e até regridiu, para os Estados Unidos, enquanto o do PIB não pára de aumentar10. É lamentável que, na França, ninguém ainda se tenha encarregado de fazer esses cálculos.</p>
<p>Temos todos os motivos para pensar que o resultado seria comparável. Seria o mesmo que dizer que, nessas condições, o crescimento é um mito, até no interior do imaginário da economia de bem-estar, muito mais na sociedade de consumo! Pois o que cresce de um lado, decresce muito mais do outro.</p>
<p>Infelizmente tudo isso não basta para nos levar a abandonar o bólido que nos conduz diretamente para o impasse, e a embarcar na direção oposta.</p>
<p>Compreendamos bem. O decrescimento é uma necessidade: não é, de saída, um ideal, nem o único objetivo de uma sociedade de pós-desenvolvimento ou de um outro mundo possível. Mas façamos das tripas coração, e admitamos, para as sociedades do hemisfério Norte, o decrescimento como um objetivo do qual se pode tirar proveito.</p>
<p><strong>A palavra de ordem de decrescimento tem sobretudo como finalidade marcar nitidamente o abandono do objetivo insensato do crescimento pelo crescimento.</strong></p>
<p>Em particular, o decrescimento não é o crescimento negativo, expressão contraditória e absurda que traduz bem a dominação do imaginário do crescimento. Isso quereria dizer ao pé da letra: “avançar recuando”. A dificuldade em que nos encontramos para traduzir “decrescimento” em inglês é muito reveladora dessa dominação mental do economês, e simétrica, de alguma forma, da impossibilidade de traduzir crescimento ou desenvolvimento (mas também, naturalmente, decrescimento&#8230;) nas línguas africanas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>O impacto sobre o meio ambiente</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sabe-se que a simples desaceleração do crescimento mergulha nossas sociedades no desespero devido ao desemprego e ao abandono dos programas sociais, culturais e ambientais que garantem um mínimo de qualidade de vida. Imagine-se que catástrofe seria uma taxa de crescimento negativo!</p>
<p>Da mesma forma que não há nada pior do que uma sociedade trabalhista sem trabalho, não há nada pior do que uma sociedade de crescimento sem crescimento. É o que condena a esquerda institucional ao social-liberalismo, por não ousar fazer a descolonização do imaginário. O decrescimento, portanto, só é concebível numa “sociedade de decrescimento”. É conveniente determinar bem seus contornos.</p>
<p>Uma política de decrescimento poderia consistir inicialmente em reduzir, e até suprimir, o peso sobre o meio ambiente das cargas que não trazem benefício algum. O questionamento do volume considerável dos deslocamentos de homens e de mercadorias através do planeta com o impacto negativo correspondente (portanto, uma “relocalização” da economia), o questionamento do volume não menos considerável da publicidade exagerada e freqüentemente nefasta e, enfim, o questionamento da obsolescência acelerada dos produtos e dos aparelhos descartáveis, sem outra justificativa a não ser fazer com que gire cada vez mais depressa a megamáquina infernal, são reservas representativas de decrescimento no consumo material.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>&#8220;Consumo e estilos de vida&#8221;</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entendido desta forma, o decrescimento não significa necessariamente uma regressão do bem-estar.</p>
<p>Em 1848, para Karl Marx, havia chegado o tempo da revolução social e o sistema estava pronto para a passagem à sociedade comunista de abundância. A inacreditável superprodução material de tecidos de algodão e de bens manufaturados parecia-lhe mais do que suficiente, uma vez abolido o monopólio do capital, para alimentar, alojar e vestir corretamente a população (pelo menos a ocidental).</p>
<p>E, no entanto, a “riqueza” material era infinitamente menor do que hoje. Não havia carros, nem aviões, nem plástico, nem máquinas de lavar, nem geladeiras, nem computadores, nem as biotecnologias, nem também os pesticidas, os adubos químicos ou a energia atômica!</p>
<p>Apesar das alterações inauditas da industrialização, as necessidades ainda eram modestas e era possível satisfazê-las. A felicidade, quanto à sua base material, parecia ao alcance da mão.</p>
<p>Para conceber a sociedade de decrescimento deve-se questionar a dominação da economia sobre a vida na teoria e na prática – e sobretudo em nossas cabeças</p>
<p>Para conceber a sociedade de decrescimento sereno e chegar a ela, é preciso literalmente sair da economia. Isto significa questionar a dominação da economia sobre o resto da vida na teoria e na prática, mas sobretudo em nossas cabeças. A redução feroz do tempo de trabalho imposto para garantir a todos um emprego satisfatório é uma condição prévia.</p>
<p>Em 1981, Jacques Ellul, um dos primeiros pensadores de uma sociedade de decrescimento, já fixava como objetivo para o trabalho, não mais do que duas horas por dia. Inspirando-se na carta de princípios “Consumo e estilos de vida”, proposta ao Fórum das Organização Não Governamentais (ONG) durante a reunião de 1992 no Rio, é possível sintetizar tudo isso num programa em seis “R”:</p>
<ul>
<li>Reavaliar,</li>
<li>Reestruturar,</li>
<li>Redistribuir,</li>
<li>Reduzir,</li>
<li>Reutilizar,</li>
<li>Reciclar.</li>
</ul>
<p>Estes seis objetivos interdependentes formam um círculo virtuoso de decrescimento sereno, convivial e sustentável. Poder-se-ia até aumentar a lista dos “R” com reeducar, reconverter, redefinir, remodelar, repensar etc., e, é claro, relocalizar, mas todos esses “R” estão mais ou menos incluídos nos seis primeiros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>A descolonização do imaginário</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vê-se imediatamente quais são os valores que devem ser privilegiados e que deveriam ser prioritários em relação aos valores dominantes atuais. O altruísmo deveria preceder o egoísmo, a cooperação, preceder a competição desenfreada, o prazer do lazer, preceder a obsessão pelo trabalho, a importância da vida social, preceder o consumo ilimitado, o gosto pela bela obra, preceder a eficiência produtivista, o razoável, preceder o racional etc.</p>
<p>O problema é que os valores atuais são sistêmicos. Isso significa que são suscitados e estimulados pelo sistema e que, em contrapartida, contribuem para reforçá-lo. É claro que a escolha de uma ética pessoal diferente, como a simplicidade voluntária, pode mudar a direção da tendência e solapar as bases imaginárias do sistema, mas sem um questionamento radical deste último, a mudança corre o risco de ser limitada.</p>
<p>Dirão que é um programa amplo e utópico? Será que a transição é possível sem uma revolução violenta – ou, mais precisamente, poderá a necessária revolução mental ser feita sem violência social?</p>
<p>A limitação drástica dos ataques ao meio ambiente e, portanto, da produção de valores de troca incorporados em suportes materiais físicos não implica, necessariamente, numa limitação da produção de valores de uso através de produtos imateriais. Estes, pelo menos em parte, podem conservar uma forma mercantil.</p>
<p>No entanto, se o mercado e o lucro persistirem como incentivos, não podem mais ser os fundamentos do sistema. Podem ser concebidas medidas progressivas constituindo etapas, mas é impossível dizer se serão passivamente aceitas pelos “privilegiados”, que seriam suas vítimas, nem pelas atuais vítimas do sistema, que são mental e fisicamente “drogados” por ele.</p>
<p>Entretanto, a preocupante onda de calor de 2003 no Sudoeste da Europa agiu muito mais do que todos os nossos argumentos no sentido de convencer sobre a necessidade de se orientar para uma sociedade de decrescimento. Dessa forma, para realizar a necessária descolonização do imaginário, pode-se, no futuro, contar muito amplamente com a pedagogia das catástrofes.</p>
<p><em>(Trad.: Regina Salgado Campos)</em></p>
<div class='et-learn-more clearfix'>
					<h3 class='heading-more'><span>Leia mais</span></h3>
					<div class='learn-more-content'><p>1 &#8211; Entrevista com Jacques Ellul, Patrick Chastenet, La table ronde, Paris, 1994, p. 342.</p>
<p>2 &#8211; Le Monde, 16 de fevereiro de 2002.</p>
<p>3 &#8211; Fabrice Nicolino, &#8220;Retraite ou déroute?&#8221;, Politis, 8 de maio de 2003. A crise foi agudizada por fórmulas contestáveis de Fabrice Nicolino qualificando o movimento social de &#8220;festival de gritaria corporativista&#8221;, ou invocando &#8220;o senhor que quer continuar a se aposentar aos 50 anos &#8211; muito bem!, ele dirige trens, é a mina, é Germinal!&#8221;.</p>
<p>4 &#8211; Politis, 12 de junho de 2003.</p>
<p>5 &#8211; Vandana Shiva, La guerre de l’eau. Parangon, 2003.</p>
<p>6 &#8211; Gianfranco Bologna (org.), Italia capace di futuro. WWF-EMI, Bologne, 2001, pp. 86-88.</p>
<p>7 &#8211; The Business case for sustanable developpement. Documento do World Business Counsil for Sustanable Developpement para Johannesburgo.</p>
<p>8 &#8211; Mauro Bonaiuti, &#8220;Nicholas Georgescu-Roegen. Bioeconomia. Verso un’altra economia ecologicamente e socialmente sostenible&#8221;. Bollati Boringhieri, Torino, 2003. Especialmente, pp. 38-40.</p>
<p>9 &#8211; Jean-Pierre Dupuy, “ Ivan Illich ou la bonne nouvelle ”, Le Monde, 27 de dezembro de 2002.</p>
<p>10 &#8211; C. Cobb, T. Halstead, J. Rowe, “ The Genuine Progress Indicator: Summary of Data and methodology, Redefining Progress ”, 1995 e dos mesmos, “ If the GDP is Up, Why is America Down ? ”, in Athlantic Monthly, n° 276, San Francisco, outubro de 1995.</p>
<p>11 &#8211; Ler “Changer de révolution”, citado por Jean-Luc Porquet in Ellul L’homme qui avait (presque) tout prévu, Le cherche midi, 2003, pp. 212-213.</div>
				</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>O que você acha do assunto? Concorda que deveríamos investir em uma sociedade de &#8220;decrescimento&#8221;? Deixe seu comentário&#8230;</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: Celestino Xavante, 91 anos</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 13:46:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rota Brasil Oeste</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Integrante de uma geração antiga de lideranças indígenas do País, Celestino Xavante, 91 anos, tem poucas ilusões sobre a possibilidade das comunidades indígenas nacionais conseguirem preservar suas culturas e modos de vida tradicionais, ante a pressão crescente sobre as suas comunidades e seus territórios. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Por Cid Furtado &#8211; originalmente publicado na revista <a title="Brasileiros de Raiz" href="http://www.brasiloeste.com.br/especiais/brasileiros-de-raiz/">Brasileiros de Raiz</a>.</em></p>
<p><strong>Integrante de uma geração antiga de lideranças indígenas do País, Celestino Xavante, 91 anos, tem poucas ilusões sobre a possibilidade das comunidades indígenas nacionais conseguirem preservar suas culturas e modos de vida tradicionais, ante a pressão crescente sobre as suas comunidades e seus territórios.</strong></p>
<div id="attachment_3006" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.brasiloeste.com.br/wp-content/uploads/2012/02/1700JM0316.jpg"><img class="size-medium wp-image-3006" title="Celestino Xavante" src="http://www.brasiloeste.com.br/wp-content/uploads/2012/02/1700JM0316-300x214.jpg" alt="Celestino Xavante" width="300" height="214" /></a><p class="wp-caption-text">Aos 91 anos, Celstino Xavante ainda é uma liderança ativa na luta política pelos direitos indígenas. Foto: Janine Moraes (Jr/ABr)</p></div>
<p>Conhecido por sua luta pela demarcação das terras Xavante, ele está preocupado: “Os jovens não vêm a Brasília. Se ficarem no mato ninguém vai considerar o que querem e precisam. Eles têm que vir lutar pelos seus direitos.</p>
<p>Apesar de preocupado com o futuro, o peso dos anos não lhe tirou o espírito combativo e, frequentemente, abandona o conforto e a tranqüilidade da aldeia Parabubure para se juntar a outras lideranças na luta pelos direitos das comunidades Xavante e direitos comuns dos indígenas.</p>
<h2>Vida de luta</h2>
<p>A história de Celestino no movimento indígena começou na década de 60 junto com os então jovens líderes Xavante, como os caciques Aniceto, Samuel e muitos outros. Lutavam pela demarcação das terras indígenas em todo o País. Correndo atrás primeiro, da demarcação da terra indígena Sangradouro; depois, da criação da área de Parabubure.</p>
<p>À época a luta era para retirar as fazendas que invadiam as terras Xavante, incluindo a área da fazenda Xavantina onde Celestino nasceu. A luta se deslocou para Brasília. Na Capital foram travadas importantes batalhas. Os Xavante venceram e passaram a ser exemplo de luta para outras comunidades indígenas.</p>
<p>Da década de 60 aos dias de hoje,lá se vão mais de 40 anos de luta e atuação política. Independente e orgulhoso, até hoje, Celestino prefere falar em sua língua materna e contar com a ajuda de um tradutor, apesar de entender o português.</p>
<p>Suas preocupações, anseios, caminhos e recados você confere nesta entrevista exclusiva a Brasileiros de Raiz.</p>
<p><strong>Qual a realidade das comunidades Xavante hoje?</strong></p>
<p>Nossa realidade é muito fraca. Todas as coisas estão mudando, mudando muito. Temos de continuar lutando para manter nossa vida e cultura do mesmo jeito. Mas sinto que estamos enfraquecidos.</p>
<p>Nosso povo está crescendo mais e tendo que lutar para ter apoio da FUNAI, do Governo. Esse presidente da FUNAI não quer entender nossos problemas. Ele acabou com a FUNAI. Precisamos ampliar a aldeia “terebe” onde pai e meu bisavô faleceram. O presidente da FUNAI prometeu e não cumpriu a promessa de ampliação da área. Diz que está fazendo uma reestruturação. A terra lá não serve mais para a comunidade, está pequena, é preciso ampliar. Nós estamos fazendo um movimento pra trocar o presidente e para pedir que os índios mesmos assumam a FUNAI. Apoiamos o advogado Arão Guajajara para assumir a presidência.</p>
<p><strong>E qual o principal problema das comunidades Xavante?</strong></p>
<p>Principal problema é que não há mais assistência: falta para o idoso, na alimentação, na compra de ferramentas, sementes, objetos, gado, na preparação de projetos. Ainda precisamos da ajuda e apoio do Governo e da FUNAI para o desenvolvimento de nossas comunidades.</p>
<p><strong>Como preservar a identidade e sua cultura Xavante ante a cultura branca e do contato com a sociedade?</strong></p>
<p>Para a sociedade dos brancos, a cultura Xavante ainda é muito atrasada. A mudança virá aos poucos até convivermos de forma igual. É muito complicado para mudar rápido, mas isso já está começando a acontecer.</p>
<p>Temos que estudar, do jovem à nossa bisavó. Temos que estudar mais, entrar na política, na prefeitura, na polícia, no governo. Só depois que entendermos isso tudo, vai ficar mais fácil para a gente ver a nossa realidade preservada, assim, convivendo com os brancos. Temos que fazer isso (conviver) para ter como preservar nossa cultura.</p>
<p><strong>É possível juntar essa tecnologia que vive o mundo hoje sem perder a identidade indígena?</strong></p>
<p>Tem que ser assim mesmo. Unir essas coisas com a preservação da nossa cultura. Temos que ter computador e essas coisas todas. Mas temos que ser nós mesmos, preservar a identidade e a cultura indígena. Os jovens cada dia estão se interessando mais por isso, pelas coisas do branco, da cidade. Desde o contato com o povo Xavante muita coisa já aconteceu. Conhecemos muitas coisas do branco e precisamos dominar isso tudo pra aprender como conviver com o branco.</p>
<p><strong>Quais os caminhos pra sobreviver, pra conviver com o branco e garantir o futuro do povo Xavante?</strong></p>
<p>Ainda estamos conseguindo segurar a nossa realidade de cultura. Temos nossa pintura, nossa língua. Não podemos perder nossos clãs individuais para casar, não podemos fazer uma mistura, assim, tem que ser preservado nosso jeito de viver. Precisamos manter a nossa tradição com a língua, os casamentos na família, as pinturas, o corte de cabelo. O caminho é brigar para manter isso assim. Os velhos e jovens tem que se unir por isso.</p>
<p>Nesse caminho também precisa do saber. Temos que estudar. Mas ainda é um caminho longo para encontrar o jeito certo para garantir o futuro do povo.</p>
<p>Pra nós índios é muito longe e muito difícil ainda encontrar esses caminhos.</p>
<p><strong>Como o senhor vê a pressão do desenvolvimento econômico em terras indígenas?</strong></p>
<p>Hoje já não tem terra suficiente pra nós. Os fazendeiros não podem querer tomar a terra indígena. Vamos defendê-las contra os fazendeiros para não haver novas invasões, porque hoje não tem a FUNAI, não tem IBAMA. O IBAMA não entra em defesa das comunidades e aí é a comunidade mesmo que tem que decidir o que vai fazer. Tem uns que pensam em deixar as terras indígenas em arrendamento, para ver se vai dar certo, ou não. Outros querem brigar com os invasores, temos que pensar muito no que fazer, antes de tomar uma decisão sobre as formas de desenvolvimento do nosso povo.</p>
<p><strong>De uma forma geral, as pessoas, o governo, fazendeiros e empreiteiros que têm projeto dentro de área indígena, sempre acusam o índio de atrapalhar o desenvolvimento do Brasil. O que o senhor acha disso?</strong></p>
<p>Eu já ouvi falar mesmo que estamos atrapalhando, que estamos ocupando as terras e que não trabalhamos. Mas porque o governo não nos ajuda? Por que não compra os maquinários para nos ajudar a trabalhar como os fazendeiros?</p>
<p>Aí sim, ia ficar mais fácil. Mas quem tem que nos ajudar, a FUNAI, não cumpre o que promete: fazer projetos, os plantios com os tratores e máquinas. Nós queremos produzir, comprar o gado, comprar os maquinários para plantar, mas o Governo não dá o apoio que as comunidades indígenas precisam. É muito complicado.</p>
<p><strong>Os jovens guerreiros ainda têm vontade de ser índio ou querem vir para o mundo do branco se integrar à sociedade?</strong></p>
<p>Hoje boa parte dos jovens que largam as aldeias e vão para a cidade preferem ficar lá, se casar, assim, desse jeito mesmo. Já estamos achando que o futuro pode mudar o índio Xavante. Precisamos que os jovens retornem à aldeia mesmo depois de estudar e viver na cidade, continuar mesmo como índio, com suas tradições. Ao mesmo tempo, muitos de nossos jovens falam que é muito difícil se misturar com o branco, que não respeita o índio, e por isso tem gente querendo ficar e gente querendo voltar pra aldeia, voltar a ser índio. Acho que as coisas são assim mesmo. Estão voltando, do mesmo jeito, como índio, porque têm muitas dificuldades para viver do jeito do branco.</p>
<p><strong>Depois da luta pela demarcação, que aconteceu nos anos 60, 70 e 80 parece que o movimento indígena diminuiu, reduziu um pouco. Não estão surgindo novas lideranças?</strong></p>
<p>Antigamente, na década de 70, o cacique, todos os caciques velhos, todos foram lutar para fazer a demarcação de nossas terras. Lutaram para ampliar essas áreas. Todo mundo unido. Toda aldeia participava das conversas à noite, e agora os jovens caciques, não se reúnem mais para discutir.</p>
<p>Não está tendo união mais. Isso não ajuda a conhecer novos líderes. São os velhos ainda que vêm tentando ouvir os mais novos, chamando eles para o centro da aldeia, pra conversar e buscar a união e pra conhecer os novos líderes, pra eles falarem.</p>
<p><strong>Qual vai ser o futuro do povo Xavante?</strong></p>
<p>O futuro? Acho que não vai ser bom.</p>
<p>Os velhos falam que os índios vão morrer, acabar. Não vamos continuar.</p>
<p>Os jovens vão virar brancos. Esse vai ser o futuro dos bisnetos, de toda a comunidade. Vamos perder a nossa cultura, artesanato, as coisas para as festas, os cantos. Ninguém vai dirigir nossa cultura, que é muito complicada.</p>
<p>Até hoje são os velhos é que estão ainda segurando a cultura para nós. Agora quando nós vamos nos acabar,não dá pra dizer, mas vai ficar difícil. Vai ficar só um restinho de cultura, poucas danças, quase nada da cultura Xavante.</p>
<p><strong>Que recado gostaria de dar aos os jovens xavantes?</strong></p>
<p>O que vocês vão ser quando eu morrer? Como vão continuar as lutas que temos?</p>
<p>Temos que perguntar isso para a comunidade. Sei que é complicado para os jovens, e ninguém pergunta essas coisas porque é complicado para eles. Os jovens e os adultos ainda não vêm para Brasília para conhecer reunião, conhecer o debate. Se ficarem no mato ninguém vai considerar o que o índio quer e precisa, eles têm que vir pra lutar pelos seus direitos.</p>
<p><strong>E o que diz para o povo branco hoje?</strong></p>
<p>Hoje já tenho idade alta e mesmo assim ainda não vejo o branco respeitando os índios, os mais velhos.</p>
<p>Daqui pra frente os jovens é que vão assumir como chefia, aqui em Brasília e nas aldeias, e são eles que vão ter de continuar lutando para o povo indígena ser respeitado. Peço que o branco respeite mais o índio.</p>
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<p>Única revista nacional especializada em questão indígena, Brasileiros de Raiz tem como objetivo recolocar a história em seu trilho, dar voz e informações atualizadas e verdadeiras sobre povos indígenas. Para saber mais, <a title="Fale conosco" href="http://www.brasiloeste.com.br/sobre-o-projeto/fale-conosco/">entre em contato</a>.</div></div>
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