As primeiras notícias da região que hoje compreende Nova Xavantina vêm de meados do século XVII. Bandeiras como a de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, e Pires de Campos percorreram a área por volta de 1660, capturando índios para depois vendê-los como escravos.
Estas expedições foram responsáveis pelo surgimento da lenda da Serra dos Martírios, um lugar fantástico indicado por formações geográficas que lembravam os martírios de Cristo, onde haveria muito ouro de superfície. O local descrito pelos bandeirantes nunca foi encontrado, mas rapidamente surgiram pequenas vilas garimpeiras, como a de Araés, ao longo do Rio das Mortes.
Entretanto, com o fim do ouro de lixiviação, os povoados logo foram abandonados. Somente em 1944, com a chegada da Expedição Roncador-Xingu, começou a ser erguida uma nova cidade. Em 28 de fevereiro daquele ano, um dos expedicionários avistou – de cima de um “pau d’óleo”, tipo de árvore típica da região – o Rio das Mortes. Em torno desta árvore foi construído o acampamento de Xavantina, nome escolhido pela Expedição em homenagem aos índios Xavantes, habitantes originais do lugar.
Aos 76 anos de idade, Lídio Pereira da Silva, operário que trabalhou na construção dos primeiros prédios, lembra que “a região era um Brasil novo sem nenhum vestígio de civilização”. Estimulado pela Fundação Brasil Central, o vilarejo começou a crescer e a atrair a atenção de colonos. Há quem diga que, durante o governo Getúlio Vargas, o lugar foi cogitado como um dos possíveis locais para a construção da nova capital brasileira.
O segundo impulso desenvolvimentista ocorreu décadas depois, com a construção da ponte sobre o Rio das Mortes, parte da rodovia BR-158. Assim, nasceu o povoado de Nova Brasília, na margem oposta do rio. Com o estímulo do governo federal, especialmente com o Estatuto da Terra, em pouco tempo os povoados tornaram-se distritos cada vez mais populosos, abrigando migrantes de todo o país e, principalmente, do Sul.
Finalmente, em 1980, as duas cidades fundiram-se num município independente denominado Nova Xavantina. Segundo Archimedes Carpentieri, um dos responsáveis pela emancipação, “foi uma luta dura, o pessoal de Barra do Garças não queria deixar a gente se separar”.
Com uma população de aproximadamente 20 mil habitantes, a principal atividade econômica da cidade é a pecuária extensiva. Nova Xavantina também preserva sua maior riqueza, belezas naturais com um grande potencial para o eco-turismo ainda inexplorado, como o Rio das Mortes.
Páginas relacionadas
Zé Goiás, bandeirante do século XX 08/05/2001
O Brasil encontra o seu centro: O Centro-Oeste no Projeto Nacional 22/08/2003
A história segundo os índios 29/05/2001
Xavantes - um povo guerreiro 28/05/2001
A natureza como alternativa 09/05/2001