A Marcha para o Oeste e a expedição Roncador-Xingu
A Marcha Para O Oeste foi um movimento do governo Getúlio Vargas planejado para conquistar e desbravar o coração d0 Brasil, até então uma região desconhecida, lendária e misteriosa.
Iniciada em 1943, a frente desbravadora do movimento ficou conhecida como a Expedição Roncador-Xingu, que adentrou o Brasil-Central, desvendou o sul da Amazônia e travou contato com diversas etnias indígenas ainda desconhecidas.
Uma epopéia sensacional, a expedição entrou para a história como das maiores aventuras do século 20 em todo o mundo. Na liderança, três irmãos que marcaram este período da história nacional: Leonardo, Cláudio e Orlando Villas Bôas.
A Marcha para o Oeste – A maior aventura do século 20
Índios devoradores de gente, montanhas de ouro e diamante, feras selvagens. Essas e outras lendas herdadas dos bandeirantes eram quase tudo o que se conhecia sobre o interior do Brasil há 60 anos. No início da década de 40, praticamente todos os 43 milhões de habitantes do país estavam concentrados no litoral e viam o interior do próprio país como algo exótico. A região não passava de uma enorme e inexplorada mancha na geografia brasileira. A Expedição Roncador-Xingu foi planejada para conquistar e desbravar o coração deste...
read moreUm fuzil e 50 balas
O comando da Marcha para o Oeste, como ficou conhecida a vanguarda deste avanço do desbravamento, foi dado ao Coronel Flaviano de Mattos Vanique, homem de confiança e membro da guarda pessoal do presidente. Como havia sido pensada no início, a iniciativa era essencialmente uma expedição de colonização. A frente deveria abrir estradas, identificar locais propícios para a abertura de cidades e implementar campos de pouso, única ligação da região com o resto do país. Um pequeno grupo de frente, formado por cerca de 40 homens...
read moreOs Villas Bôas
Motivados pela campanha publicitária sobre a Macha para o Oeste, três jovens irmãos paulistas foram atraídos pela idéia de fazer parte daquela aventura. A família havia se mudado de Botucatu para a capital há pouco tempo, mas uma sucessão de tragédias os deixou órfãos, o que também serviu de estímulo para a partida rumo ao interior. Orlando Villas Bôas, tinha 27 anos e trabalhava de escriturário na Esso. Cláudio, de 25, deixou o emprego de mensageiro na prefeitura de São Paulo para embrenhar-se na mata. O caçula, Leonardo, de...
read moreColunas de fumaça: o contato com os índios
Logo na primeira avançada da vanguarda para longe das últimas vilas garimpeiras, como Barra do Garça, surgem sinais dos temidos índios do Brasil Central. Colunas de fumaça vistas durante um sobrevôo denunciavam presença humana. Eram aldeias dos xavantes, povo caçador e que utilizava queimadas controladas para espantar os animais e facilitar a caçada. O coronel Vanique, comandante da expedição na época, relutou em seguir na trilha dos índios e a continuação da viagem selva dentro foi adiada por diversas vezes. Mas a vanguarda...
read moreA fundação das novas cidades
Enquanto a vanguarda da Marcha para o Oeste avançava pela selva, na retaguarda um outro grupo tratava de montar a estrutura nos acampamentos que deram origem às primeiras vilas e cidades da região. As duas principais bases para o avanço desenvolvimentista estavam em Aragarças, em Goiás – uma cidade fundada pela Fundação Brasil Central – e em Barra do Garças, uma antiga corruptela localizada nas margens mato-grossense do Araguaia. Com o incentivo do governo, a região passou a atrair os imigrantes. Caboclos desciam os rios,...
read moreExtraterrestres e minas de ouro
Nova Xavantina, no Mato Grosso, é outra cidade que nasceu na sombra da expedição. Com 5 700 quilômetros quadrados de extensão – quase quatro vezes a área da cidade de São Paulo -, o município tem pouco mais de 20 mil habitantes. Há 60 anos, era só mato. A cidade foi batizada por Orlando Villas Bôas como explica o pioneiro e ex-expedicionário, José Celestino da Silva. Conhecido como Zé Goiás ele conheceu o acampamento que originou a cidade ainda em 1946 quando chegou para integrar o pelotão de frente do avanço mata...
read moreBrasil Central Hoje
A Amazônia inóspita, com florestas impenetráveis, rios gigantescos e habitada por feras e índios, apesar das agressões, continua pujante. Certamente, os ideais que nortearam a liderança dos Villas Bôas na Expedição Roncador-Xingu contribuíram para isso. Sem eles, a floresta e os índios teriam sofrido muito mais. Sob outro comando, a Marcha para o Oeste poderia ter descartado a complexa e delicada tarefa de contatar índios selvagens. Seria muito mais prático e rápido dizimar as aldeias, como fizeram nossos primeiros colonizadores...
read morePreconceito ao índio
O preconceito contra o índio é um dos modos de descriminação mais fortes e agressivos do Brasil. Nas cidades próximas às reservas, é um problema ainda mais acentuado. Os xinguanos, que se mantêm mais afastados não sofrem tão diretamente com o problema. Os Xavante, no entanto, tem suas terras mais próximas. Além disso, a etnia conseguiu reconquistar boa parte de seu território depois de um processo de luta que existe ainda hoje contra forças políticas e grandes proprietários locais. Na década de 1970, os caciques da região de...
read moreEntrevista Orlando Villas Bôas
Em 1944, Orlando, Cláudio e Leonardo já haviam deixado São Paulo e integravam o quadro da "Marcha para o Oeste" se passando por sertanejos analfabetos. Pouco tempo depois, quando foram desmascarados, passaram a comandar certas atividades nas bases de apoio. Com a descoberta dos índios no caminho e a desistência do chefe oficial, coronel Vanique, de acompanhar a vanguarda da expedição, os três irmãos assumiram o comando da equipe que iria desbravar o oeste brasileiro. Rota:Como você vê, hoje, a expedição? Orlando: A...
read moreInvasão Branca
No pouco tempo que estivemos no Alto Xingu, foi possível perceber a dimensão, complexidade e o pouco interesse da mídia sobre a questão indígena. Seria necessário um trabalho maior e mais aprofundado para mostrar a situação atual da reserva, porém, nestes dez dias que passamos entre as aldeias e Posto Indígena Leonardo Villas Bôas conhecemos alguns dos problemas da comunidade xinguana. Enfrentando cada uma destas questões há várias décadas, o índio está cada vez mais preparado para encará-las com seus próprios recursos. No...
read more
