Usina de reciclagem será dirigida por catadores de lixo

Será inaugurada hoje (05/09) em Belo Horizonte a primeira fábrica de reciclagem da América Latina dirigida por catadores de lixo. O projeto envolve oito associações de catadores, que passam a controlar toda a cadeia produtiva: da coleta à comercialização, passando pela transformação de garrafas e embalagens em novos produtos de plástico.

"Essa usina surgiu de um sonho de acabar com a exploração dos interceptadores. Com ela, a renda média dos catadores, hoje em R$ 400, deve subir 30% já no primeiro momento", disse Luís Henrique da Silva, 38 anos, integrante da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Matérias Recicláveis (Asmare). "Diretamente, 580 catadores serão beneficiados por essa usina. Indiretamente, contando as famílias desses catadores, chega a 2,5 mil o número de beneficiados."

Luís Henrique conta que, para conquistar a própria independência, os catadores foram a campo captar recursos. Apresentaram o projeto da usina para diversas empresas. Por fim, conseguiram o apoio da Fundação Banco do Brasil que, por sua vez, trouxe o apoio do Ministério do Trabalho, BrasilPrev e Petrobras. A construção e as máquinas, juntas, custaram R$ 4,5 milhões.

"Esse é o resultado de uma luta permanente dessa população para conquistar espaços na sociedade. Dessa vez, quem vai ficar com os lucros é o próprio catador", afirmou a coordenadora da Pastoral de Rua de Belo Horizonte, irmã Maria Cristina Bove. Durante o Primeiro Encontro Nacional sobre População em Situação de Rua, na última semana, a irmã reivindicou que as prefeituras apóiem outras iniciativas, repassando pelo menos parte do serviço de limpeza urbana para as associações de trabalhadores de rua.

Construída em um terreno cedido pela prefeitura, a usina dos catadores mineiros não só vai reduzir o depósito de lixo nos aterros sanitários da cidade como deve contribuir para gerar emprego na região onde a fábrica será instalada, no bairro Juliana.

Sessenta e quatro postos de trabalho foram abertos. Terão preferência na ocupação das vagas os moradores do próprio bairro. No primeiro ano de funcionamento da indústria, os catadores esperam reciclar cerca de 200 toneladas de plástico por mês. A partir do terceiro ano, a expectativa é elevar a produção para 600 toneladas mensais.

Programa beneficia 10 milhões de pessoas na fronteira

Cerca de 10 milhões de pessoas, distribuídas em 588 municípios de 11 estados, localizados ao longo dos 16 mil quilômetros de fronteira do Brasil com diferentes países sul-americanos, passam a ter agora oportunidade de trabalho e produção a partir do Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira, do Ministério da Integração Nacional. Segundo o secretário de Programas Regionais do ministério, Carlos Gadelha, o objetivo do projeto é descobrir a vocação econômica de uma determinada região, capacitar os cidadãos, organizar a atividade produtiva em cooperativas e apresentar linhas de financiamento para aquisição de equipamentos e material.

“Esse é mais um projeto de inclusão social do governo Lula”, disse Gadelha. De acordo com o secretário, é preciso acabar com a idéia de que a população fronteiriça é marginalizada e ligada ao tráfico. “Com esse programa estamos dando a oportunidade para essas pessoas mostrarem que sabem e podem fazer excelentes trabalhos.”

Mas Carlos Gadelha lembra que é necessário respeitar a diversidade cultural para que os projetos dêem certo. O ministério da Integração Nacional instalou fóruns nos municípios da fronteira para que a população se organize e defina suas prioridades, vocações econômicas e as raízes do projeto. Tudo isso em um trabalho bem estruturado para cada região. “O trabalho feito com o artesanato indígena na região Norte não pode ser o mesmo dos criadores de gado do Sul”, concluiu.

A região do Alto Solimões -AM, que faz fronteira com a Colômbia e é uma das faixas prioritárias do Programa, já tem implantado um trabalho com piscicultura e artesanato indígena. Os pescadores da região foram treinados e capacitados pelo Ministério da Integração e agora, além de terem aprendido novas técnicas de captura e tratamento do peixe, tem também unidades de resfriamento do pescado. A população indígena envolvida com o artesanato também foi capacitada e já produz peças de acordo com os novos designs ensinados pelos especialistas do Faixa de Fronteira.

O Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira conta ainda com um grupo de trabalho interministerial que reúne 21 ministérios para colaborarem dentro de suas áreas de competência como saúde e educação.